Yom Kipur - Dia do Perdão e sua gastronomia - eliana rosebaum

Yom Kipur – Dia do Perdão e sua gastronomia

O Dia do Perdão Judaico para falarmos de Yom Kipur temos que citar Rosh Hashana, porque são as festas mais importantes dos Judeus, além do Yom Kipur ser 10 dias após Rosh Hashaná. Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, é observado no primeiro e no segundo dias de Tishrei, o sétimo mês do calendário judaico.

 

 

Normalmente cai no mês de setembro. “Que você seja inscrito no Livro da Vida” Esta é a saudação usual durante esse período e, acredita-se, que, em Rosh Hashaná, o destino da humanidade seja registrado por “D’us¹ no Livro da Vida No Yom Kipur, o livro é fechado e lacrado. Um Ano Novo bom e feliz é concedido àqueles que se arrependeram dos seus pecados.

 

 

 

A GASTRONOMIA DE YOM KIPUR

Enquanto o Yom Kipur é dedicado ao jejum, o dia anterior é dedicado a comer. De acordo com o Talmud, a pessoa “que come no nono dia de Tishrei (e jejua no décimo), é como se tivesse jejuado em ambos os dias, o nono e o décimo“. Também as orações são minimizadas para que os judeus possam se concentrar em comer e se preparar para o jejum. No dia que precede o Yom Kipur, recomenda-se que se coma mais que o habitual para se fazer face ao jejum, evitando-se alimentos excessivamente salgados ou condimentados que provoquem sede excessiva, pois ao começar o jejum, além de não se comer, não se bebe água até o término. Alguns quebram o jejum ainda na sinagoga com bolo de nozes e mel.

 

 

Os Ashkenazim costumam quebrar o jejum com um caldo de galinha quente acompanhado de Kreplach recheado de frango, chá, arenque, galinha assada, etc. Burekas.

 

Kreplach recheado de frango

 

 

Os Sefaradim são mais adeptos do lanche, que pode se iniciar com um suco de frutas. São também colocados à mesa Burekas, pastas de queijo. azeitonas. biscoitos, pãezinhos e, as vezes, caldo de galinha.

 

Burekas

 

 

No Marrocos, é mais usual se preparar um cuscuz de galinha, além de galinha ensopada com grão de bico e uma rica sopa com todos os vegetais, que alguns denominariam como Harira, da qual os muçulmanos fazem uso também no jejum de Ramadâ. Blintzes Em casa, o jantar tradicional começa com um peixe defumado ou marinado: a salinidade faz com que se tome mais líquidos e re-hidrata o organismo mais rapidamente.

 

Blintzes

 

Alguns grupos da Europa central, costumam, neste dia, fazer uma refeição láctea: lokshem kugel (bolo de macarrão) ou as blintzes (panquecas) de queijo. Em quase todas as casas há, também, um prato de galinha.

 

Lokshem kugel (bolo de macarrão)

 

Outro costume envolve os judeus da Turquia. No jantar de “quebra-jejum”, costumam servir huevos haminados (ovos cozidos por um processo especial que leva mais de 6 horas). O ovo sempre foi o símbolo da vida e da continuidade para muitos povos antigos. Diz a lenda turca que, se você dividir um huevo haminado com alguém, um ficará com raiva do outro até o fim do próximo ano.

 

Huevos Haminados

 

Os judeus Sefaradi (do Oriente e da Península Ibérica) têm o couscous como prato de cerimônia para as festas de fim de ano. Comem acelga para remover os inimigos do caminho, a vagem de metro para aumentar as bênçãos recebidas, o doce de abóbora em pedaços para pedir que os nossos pecados sejam também reduzidos a pedaços e a romã para que nossas virtudes se multipliquem como suas sementes.

 

Curiosidade: Existiram 2 grandes comunidades judaicas na Índia, a de Bombaim e a de Calcutá. As receitas de ambas eram iguais na essência, mas tudo o que era feito com carne em Bombaim, era feito com frango em Calcutá: a comunidade de Bombaim tinha um shohet, ou seja, um rabino habilitado a abater animais segundo os rituais kasher (o código religioso sanitário que diz o que o povo judeu pode comer e o que não pode).

 

 

Assim, a comunidade de Calcutá só comia carne quando o Shohet para lá viajava.

 

 

 

por Eliana Rosebaum

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