vinho Almaúnica - monica rangel

Vinho que combina com minha alma

Acredito que quando colocamos nosso nome em um produto temos que acompanhar de perto o processo de produção do mesmo. Pensando assim, embarquei para Bento Gonçalves para acompanhar a vindima (colheita da uva) do Almaúnica, o vinho que combina com minha alma. Desde que abri o Empório do Gosto ampliei o leque de produtos e com isso tenho alguns que tem a minha chancela e não são fabricados por mim.

 

Ficamos hospedados no Farina Park Hotel a convite da Marcia Ferronato (secretaria executiva do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares da Região Uva e Vinho) e do Sr. Gilberto Durante, (Secretário de Turismo de Bento Gonçalves). Tivemos um jantar maravilhoso já na chegada no próprio hotel, no restaurante Arte in Tavola, que tem uma gastronomia de detalhes e saborosa.

 

Foram 2 dias muito intensos e corridos com almoço no Di Paolo, parada obrigatória para um maravilhoso galeto e jantar com os gêmeos da Almaúnica no Primo Camilo, com um ragu de cordeiro que ele coloca no forno a lenha quando fecha o restaurante que é de babar. Visitamos também algumas vinícolas de ponta, como a Pizzato, Terragnolo e a Dal Pizzol do querido Sr. Antonio.

 

 

Nunca tinha participado da colheita e do processo de vinificação e fiquei impressionada com a organização e higiene que eles mantem no local.

 

vinicola Almaúnica - monica rangel

Tanques de aço inox da Vinícola Almaúnica

 

Os equipamentos são caros e é um processo que demanda tempo para o produto ficar pronto. Os barris de carvalho para a maturação são utilizados no máximo três vezes e têm um custo de R$ 5.500 cada, cabendo somente 200 litros de vinho por vez.

 

vinho Almaúnica - monica rangel

Barril de carvalho francês da Almaúnica

 

Esse ano eles ainda tiveram um agravante com a perda em torno de 60% das uvas pelo mau tempo em dezembro, com muita chuva e granizo. O que os conforta é que em janeiro e fevereiro tiveram muito sol e as uvas que sobraram ficaram excelentes e com isso terão um produto final maravilhoso. Para piorar um pouco o Governo brasileiro resolveu aumentar a taxa de tributação sobre o vinho no final de 2015. Como podemos ter um vinho de qualidade e competitivo com um país com taxas e impostos exorbitantes? Esse é um país que não incentiva a produção nacional.

 

vinicola-almaunica-monica-rangel

Vinícola Almaúnica

 

 

Segundo a IBRAVIN – Instituto Brasileiro do Vinho sobre a tributação, o que mudou substancialmente foi a forma de cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O que antes era um valor fixo, de R$ 0,73 por litro, passou a ser de 10% sobre o valor do produto. Em acordo firmado entre o setor e o Congresso, a MP 690 reduziria esse percentual para 6% já em 2016 e cairia para 5% em 2017.

 

Porém, a presidente vetou essa diminuição, mantendo os 10%. Em fevereiro, o ministro Miguel Rossetto anunciou que o governo recuou e deve publicar um decreto reduzindo a alíquota para 6%, mas o anúncio ainda não se efetivou.

 

IBRAVIN - Vinhos do Brasil - ok
De qualquer forma, o setor segue articulando para derrubar o veto presidencial e garantir em lei a nova alíquota.

 

Todos os demais produtos tiveram reduções na passagem do sistema ad Rem para ad Valorem em pelo menos 50% e, por isso, entendemos que esta deveria ser aplicada também ao vinho, que tinha alíquota de 10%, mas no enquadramento eram aplicados valores menores do que 10%, explica o diretor executivo do Ibravin, Carlos Paviani.

Além do IPI, o vinho também recebeu aumento do ICMS. O Governo do Estado do RS instituiu pela Lei 14.742 a cobrança do Fundo de Proteção e Amparo social do Estado do Rio Grande do Sul – Ampara-RS.

 

A alíquota aprovada do Ampara-RS é de 2% sobre as operações e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016, com previsão de término em 31 de dezembro de 2025. Devido a pressão do setor, no último dia 29 o governo retirou o vinho desta lista de produtos que devem contribuir com o Ampara.

 

vinho Almaúnica - monica rangel

 

A Substituição Tributária é outro gargalo do setor, já que cada estado pratica uma Margem de Valor Agregado (MVA) própria, o que acaba onerando as operações e causando bitributação tanto para as vinícolas que vendem para outros estados como para os lojistas que repassam o custo no preço final. Outro entrave é a diferença do ICMS que varia de estado para estado. Para ter uma ideia, essa alíquota é de 18% em algumas unidades da federação e chega a 35% em outros estados.

 

 

A ida a Bento Gonçalves este ano me fez ter certeza que a produção de vinhos no Brasil está em ascensão e que nosso produto não deixa mais nada a desejar dos outros países. Atualmente produzimos espumantes, vinhos brancos e tintos muito bem feitos e de excelente qualidade.

 

 

Para quem quiser entender mais sobre o processo de
produção do meu vinho, 
vejam o vídeo abaixo.

 

 

 

Deixe sua opinião, assim podemos melhorar.

Artigos Relacionados