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A Comida conta nossa história

Resistência é talvez a palavra que

melhor defina a Cozinha da Bahia

 

 
Karingana ua Karingana é a expressão Moçambicana, utilizada pelos rongas quando começam a contar uma história tradicional.  Os ouvintes respondem-lhe karingana!. Corresponde à expressão «era uma vez» utilizada em português na mesma situação. Karingana ua Karingana é a segunda obra do escritor moçambicano, José Craveirinha (1922-2003).

 

A história também pode ser contada a partir daquilo que os homens comem e cozinham, um prato não traz consigo apenas aromas, texturas e sabores, um registro necessário, como um documento, que guarda por trás de simples receitas ingredientes como a eclosão de guerras, a trajetória de artistas ou mesmo o processo de formação de um povo.

 

Entrudo-Debret

 

A culinária da Bahia, tem marcadamente raízes populares, ela está claramente inserida na construção e na busca pela liberdade. E liberdade se constrói no dia-a-dia, tijolo-a-tijolo, inserindo pessoas, agregando novos atores, dirimindo fronteiras, a virtual tarefa da alta cozinha.x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

livro arte culinaria da Bahia

A comida é exatamente assim, um corpo com múltiplas funções, é um conjunto das coisas contidas com uma densidade, que engloba técnicas, fazeres, pessoas, produção, economia, tensão, tesão, memória, emoção enfim, quando falamos em comida, registramos sensações sobre o ser humano, e como ele se relaciona com o mundo e com o outro, e no nosso caso, usando a linguagem da comida como este veículo.

 

 

A comida faz parte da nossa história, e nossa história é uma prova viva da forma como nos inscrevemos no mundo, e principalmente em nosso lugar. A cozinha tradicional deve servir de esteio para novos criadores, é a partir dela que uma sociedade aprende a compreender seu passado.

 

 

 

 

É necessário conscientizar a sociedade despertando a massa critica , que a gastronomia na contemporaneidade vincula-se com as mais diversas frentes da sociedade, promovendo produtos locais, fomentando o empreendedorismo, gerando novos produtos, empoderando nossa cultura, inserindo pessoas no mercado de trabalho, gerando riquezas, além de ser uma industria limpa.

 

 

 

A gastronomia brasileira carece um discurso de pertencimento, onde suas práticas, sejam condizentes com a realidade de sua gente, que seja um espelho do seu caráter, enfim resgatar e reconhecer a importância das antigas tradições culinárias e a memoria de nossa gente, e acima de tudo acreditar que é na inserção criativa de novos elementos que ela sobreviverá e terá força nacional.

 

Pensar a cozinha baiana na contemporaneidade é pensar em atualizar-la, sem perder seu grande fio condutor, a generosidade, com que tratou os alimentos, as relações e principalmente serviu de vinculo fortalecedor de sua gente.

 

 

Sem memória, não há identidade, desaparece a cultura e destrói-se a consciência coletiva. É esta memória e esta identidade que constituem o patrimônio de uma coletividade.

 

 

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