dieta paleolitica - dieta da moda

Comer como um cavernícola, a dieta da moda

Seus seguidores só comem carnes, frutas e verduras, como os homens da era paleolítica. E citam “5 venenos brancos”: farinha, arroz, açúcar, lácteos e sal.

 
Ponto a favor: eles não são fundamentalistas. Diferentemente dos vegetarianos ou seus parentes ainda mais ortodoxos, os veganos, os cultores da dieta paleo sabem curtir. Se eles forem a uma pizza party, eles comem pizza e amanhã será outro dia. O problema é que na disputa paleo sim, paleo não, eles têm muitos detratores. E também têm seguidores. Muitas pessoas famosas e especialistas escrevem papers e livros a favor deles. Mas os antipaleo são contundentes e dizem que essa dieta não faz sentido.

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Os paleo propõem comer o que o homem comia no paleolítico: carnes, frutas, verduras, nada artificial, nada processado. O argumento é que geneticamente o homem está preparado para comer o que encontra na natureza e que o resto o deixa doente. Eles dizem que a obesidade, o colesterol, a hipertensão e o câncer chegaram com a modernidade. No lado oposto, os outros respondem: no paleolítico essas doenças não apareciam porque os homens viviam 20 anos e passavam os dias correndo e caminhando e por isso eram tão saudáveis.

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Essa é a disputa. Agora, vamos aprofundar.

Lucas Llach é economista e militante da alimentação paleo na Argentina. Ele diz que não inventou nada e que tudo surgiu nos Estados Unidos (nos anos 1970, graças a Walter Voegtlin, um gastroenterologista que afirma que o essencial está no reino animal). “Eu comecei a pesquisar para o que o ser humano estava preparado e se o que comemos é natural para nós. O central são os ingredientes”, diz. E embora afirme que não sai evangelizando as pessoas por aí, ele faz “um pouco de proselitismo”. Lucas tem um blog,“Alimentación Sapiens”, onde aconselha e explica: “O que comer: qualquer carne, qualquer fruto, qualquer verde, qualquer raiz ou tubérculo, qualquer peixe, ovos, mel”. E também cita “os 5 venenos brancos”: farinhas, arroz, açúcar, lácteos e sal. E o que distingue essa de outras dietas: eles são inimigos da fome.

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Existem hoje vários apps com a dieta paleolítica

 

A Sociedade Argentina de Obesidade e Transtornos Alimentares (SAOTA) apoia o paleo: “É a alimentação para a qual estamos preparados. Durante 99,99 por cento da nossa história nós comemos alimentos naturais. O homem estava livre de alimentos processados. Depois chegaram a agricultura e as doenças da modernidade, como a diabetes, a hipertensão, o colesterol, a obesidade e o câncer porque 70 por cento das calorias que consumimos são alimentos processados – diz Martín Milmaniene, vice-presidente da SAOTA – Nós aplicamos e seguimos essa dieta, que dá muito bons resultados”.

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O nutricionista Lucio Tennina é um “moderado” e acabou de publicar “Alimentación inteligente“. Ele não ataca as farinhas e os açúcares como os paleo, só quando estão engordurados. “A dieta paleo pode ser uma maneira de se alimentar que não acarreta falta de nutrientes essenciais, mas convém marcar que a presença de cereais e alguns lácteos, em quantidades moderadas, tornam a alimentação mais variada. Nenhum alimento, por mais saudável que seja, deve ser preponderante nem excludente. Nós somos o que comemos e quanto mais variarmos, mais saudáveis estaremos”.

 

A base de uma alimentação saudável é comer de forma equilibrada todos os alimentos, para dessa maneira obter todos os nutrientes indispensáveis para o organismo. A dieta Paleo, ao suprimir a ingestão de carboidratos, não respeita essa premissa – diz Daiana Pérez, da Associação Argentina de Dietistas e Nutricionistas Dietistas -. Por ser uma alimentação baseada em carnes e vísceras, ela fornece uma alta concentração de proteínas, gorduras saturadas e colesterol. Ao não incluir lácteos, as recomendações diárias de cálcio e vitaminas A e D não são cobertas”.

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O nutricionista Sergio Britos, diretor do Centro de Estudos sobre Políticas e Economia da Alimentação, é contundente: “Imaginar a população argentina do século 21 com um padrão alimentar próprio da etapa pastoril não tem lógica”. E diz: “A dieta paleolítica se baseia na exclusão de carboidratos e de alimentos denominados “modernos” (lácteos, açúcares, alimentos processados). A esse respeito, a Organização Mundial da Saúde e o Instituto de Medicina dos Estados Unidos propõem que os hidratos de carbono devem fornecer 50 por cento das calorias de uma dieta.

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O que significa isso? Que não é necessário suprimir os carboidratos, que são uma fonte nobre de energia para fazer o corpo funcionar. O que é necessário é diminuir a ingestão de açúcares, farinhas muito refinadas ou produtos à base delas”. Britos remarca outro ponto conflitante, que é a negação dos lácteos: “Nossos antepassados não tomavam leite, é verdade, mas consumiam outras fontes de cálcio. E viviam tão poucos anos que não chegavam à idade da osteoporose. Hoje, o consumo de lácteos na infância e na adolescência deve garantir o cálcio necessário para viver 80 anos”.

 

Paleo sim, Paleo não, as cartas estão sobre a mesa.

 

Fonte: Mariana Iglesias/Clarín

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