Chocolate e codornas

Ando com chocolate na cabeça. Hoje resgatei na memória dos food films o ultrarromântico Como água para chocolate. O filme é mexicano e segue a linha de exageros que pautam a arte daquele país. O que não é exatamente um e demérito. Com pinceladas de erotismo, humor , um pouco de história e muita comida, a trama centra-se no amor impossível de Tita. Ela encontra na gastronomia a forma de realização e meio para extravasar seus sentimentos, contagiando os que se deliciam com seus pratos.

 

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O filme é de 1992 e foi aclamado em Gramado pelo júri popular como melhor filme, além de melhores atriz e atriz coadjuvante pelo júri oficial do Festival de Cinema de 93. tem um fileiras de outros prêmios e uma mega-aceitação popular.

 

Baseado na obra homônima de Laura Esquivel, à época casada com o diretor Alfonso Arau, que também dirigiu o enofilme Caminhando nas Nuvens (1995), Como água para chocolate derrete corações, geralmente femininos, tanto quanto sua protagonista Tita derrete chocolate para a preparação de seus pratos. O que espanta os não-iniciados é o uso de chocolate em pratos de sal. Isso também aparece no filme Chocolate. Diferentemente das culinárias comuns, o chocolate no México é diluído na água, e se o ponto exato não for o certo a mistura desanda ou provoca borbulhas que podem ser desastrosas para o prato e para o cozinheiro. Por isso, a expressão “como água para chocolate” tem relação com a excitação sexual, algo como o nosso “em ponto de bala” ou “pronto para o ataque”.

 

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A pobre Tita, impedida de casar com seu grande amor por causa de uma tradição familiar, sofre, chora, se enoja e vive em estado de excitação velada (ou nem tanto). Suas emoções se transformam em ingredientes e quem come suas receitas acaba absorvendo sua dor, sua excitação e sua revolta. As cenas de comida são hilárias, mesmo com um toque de dramaticidade, como a do bolo de casamento que Tita faz aos prantos. A cada garfada os convidados se lavam em lágrimas e mais lágrimas e não param de comer. Já as codornas com pétalas de rosa trazem a libido à cena e deixa todo mundo em estado de excitação incontrolável.

 

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Por duas edições diferentes do Mesa de Cinema, uma em 2005 e outra em 2006, a chef Helena Rizzo, eleita este ano como a melhor chef do mundo, incorporou o espírito de Tita e interpretou o cardápio do filme com sua criatividade e talento inquestionáveis. A bela Helena caprichou na apresentação e nos detalhes e trouxe à cena umas pétalas de rosas caramelizadas ao lado de codornas douradas. Irresistíveis. Engraçado foi saber nos bastidores que a chef nem gosta de codornas… Quem experimentou as delícias que ela fez deve exclamar, como eu: imagina se gostasse!!!

 

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Rejane Martins - BOTTOM

 

[learn_more caption=”Sobre Rejane Martins”] Rejane Martins é jornalista com formação em Comunicação Social (Jornalismo) e Letras (Língua Francesa), pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com especialização na área de gastronomia, a jornalista atuou como editora de gastronomia no jornal Zero Hora e é idealizadora do evento Mesa de Cinema, que exibe e devora filmes ligados á gastronomia. à frente da nexo Comunicação, a jornalista desenvolve projetos personalizados que gerem visibilidade a empresas e produtos.[/learn_more]

 

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